AVISO IMPORTANTE!

Desde 22 de setembro de 2012 há uma nova taxa a ser paga ao visitar Fernando de Noronha.

Além da taxa de preservação, cobrada ao chegar — de R$ 43,20 por dia de permanência — agora há também uma segunda taxa, ou melhor, um ingresso para visitar a área do parque nacional marinho. Custa R$ 65 para brasileiros e R$ 130 para estrangeiros e é válida por 10 dias (maiores de 60 anos, menores de 12 anos, pesquisadores em serviço e moradores e seus parentes em primeiro e segundo graus estão isentos).

A início da cobrança da taxa/ingresso coincidiu com a entrega dos primeiros melhoramentos pela nova concessionária da visitação do parque, a Econoronha — subsidiária da Cataratas S.A., que há 14 anos presta o mesmo serviço no parque nacional do Iguaçu.

A nova taxa, numa ilha já tão cara para o turista, provocou aquilo que antigamente se descrevia como “uma grita generalizada”. Estive na ilha a convite da Econoronha, da administração da ilha e da Associação de Pousadas para ver o que está sendo feito e ouvir as explicações oficiais.

–> Qual a diferença entre a nova taxa e a antiga?

A taxa de preservação — aquela que a gente paga ao chegar — tem esse nome todo ecológico, mas não vai para o parque. É incorporada ao orçamento distrital para manutenção “urbana” da ilha; não contribui para a verba de manutenção do parque marinho.

A “nova” taxa na verdade já existia. Todos os passeios realizados dentro da área do parque nacional marinho (passeios de barco, mergulho, plana-sub, Navi) já incluíam em seu preço a taxa de ingresso ao parque. A nova taxa consolida essas cobranças pulverizadas num ingresso só — e, isso sim é novidade, estende a cobrança aos que freqüentam a área do parque mesmo sem entrar no mar.

–> É possível ir a Noronha e não pagar a nova taxa?

Sim. Além dos visitantes isentos (maiores de 60 anos, menores de 12 anos, pesquisadores em serviço, moradores e seus parentes em primeiro e segundo graus), você pode escapar de pagar o ingresso limitando sua visita às praias fora do parque nacional marinho: Cachorro, do Meio, Conceição, Americano, Boldró, Bode e Cacimba do Padre.

–> Onde se paga a taxa? Onde se consegue a isenção?

O ingresso pode ser pago, por enquanto, em três locais: no Centro de Visitantes da pracinha do Projeto Tamar, na vila do Boldró; na praça do Flamboyant, na entrada da Vila dos Remédios; e no PIC Golfinho-Sancho, no acesso às trilhas do Mirante dos Golfinhos e do Mirante do Sancho.

Dá para pagar em dinheiro (real, dólar ou euro) ou cartão (débito ou crédito). Você é fotografado e a sua foto fica armazenada no cartão de ingresso, que é magnético, e é lido pelas catracas (por isso o ingresso é intransferível).

A isenção só pode ser obtida no Centro de Visitantes da praça do Projeto Tamar, na Vila do Boldró. O visitante isento também ganha um cartão magnético com a foto armazenada.

Em breve o ingresso poderá ser pago pela internet no site da Econoronha — mas de todo modo será necessário ir até um posto para emitir o cartão com foto.

–> Então quer dizer que privatizaram o parque de Noronha?

Eu já usei essa palavra, mas não é correta. O parque continua administrado pelo ICMBio, o braço do Ibama responsável pela administração dos parques e outras unidades de conservação nacionais.

O que licitaram foi a coordenação da visitação — ou seja, tudo o que envolve o turismo dentro da área do parque. A concessionária é subordinada ao ICMBio.

A favor das autoridades, diga-se que a vencedora da licitação tinha um grande case no currículo: a visitação ao parque do Iguaçu é extremamente bem organizada.

–> E que melhorias já fizeram com a taxa?

As primeiras obras foram feitas durante um ano antes do novo ingresso começar a ser cobrado. A Econoronha declara o investimento de R$ 10,6 milhões.

O primeiro conjunto de benfeitorias a ser entregue foi o do PIC (Posto de Informação e Controle) do Golfinho-Sancho, construído onde havia antes um quiosquinho, na entrada para as trilhas do Golfinho e do Sancho. O piso do estacionamento ganhou um revestimento feito com material reciclado.

Só passa pela roleta quem tem o ingresso ao parque comprado. O posto tem lanchonete, armários, banheiro, chuveiros, aluguel de acessórios de praia e mergulho e lojinha de souvenirs.

–> Que outras obras estão previstas?

Um segundo PIC estava para ser inaugurado por agora, na praia do Sueste. A pracinha do Projeto Tamar onde está o Centro de Visitantes ganhará um upgrade, completando a fase I do cronograma da concessionária.

Para a fase 2 estão previstos mais dois PICs — um na praia do Leão, outra na Atalaia — e a reabertura da trilha entre a Baía dos Porcos e o Sancho.

O PIC e a trilha do Leão devem ser inaugurados em julho. O posto será 100% sustentável, com água proveniente da captação de chuvas, energia gerada por meio eólico-fotovoltaico e reaproveitamento total de resíduos. Originalmente o posto estava previsto para a fase 1, mas o dileto Iphan também está zelando pelos vestígios de um forte na área e ainda não aprovou o traçado da trilha.

O gerenciamento de resíduos sólidos de todo o parque também está a cargo da concessionária.

 

Notas de Evando Rodrigues